O Seridó e “os votos de porteira batida”: um estudo monográfico sobre o coronelismo no Rio Grande do Norte
Nas Ciências Sociais, a participação política do homem do campo na disputa eleitoral é interpretada, divergentemente, por análises políticas e antropológicas. De modo geral, as abordagens focam nas relações entre atores políticos de diferentes classes sociais. No Brasil, a compreensão do comportamento eleitoral da população rural votante, também, se filia ao debate teórico mencionado. E essa controvérsia se materializa num fenômeno singular: o coronelismo. Historicamente, por intermédio dessa manifestação típica na realidade política brasileira, o coronelismo, o objetivo desta análise será entender o que constitui determinante no comportamento eleitoral do homem do campo, na República Velha, no Seridó potiguar. Assim, esta investigação visa identificar qual a essência do coronelismo. O sistema do poder local se caracteriza, fundamentalmente, pela integração vertical dos trabalhadores rurais aos patrões. E o alinhamento vertical entre esses dois atores sociais, os proprietários fundiários e os moradores, delineia uma relação de senhor e subordinado, na qual este segundo elemento sacrifica o alinhamento horizontal de sua própria classe social. Assim posto, esta interpretação expõe a sua concepção fundamental do fenômeno: define-se o coronelismo pela relação social na qual o morador participa da campanha eleitoral, por intermédio da lealdade ao proprietário da terra, com o qual mantém uma relação econômica de parceria, que determina a manifestação do morador ao processo eleitoral, por intermédio do “voto de porteira batida”.
Graduou-se em Direito (1973-1976) e Ciências Sociais (1975-1979), na UFRN. Fez mestrado em Sociologia, na Unicamp (1980-1984), e doutorado em Sociologia na UnB (2000-2003). As duas propostas investigativas privilegiaram a temática do coronelismo no território do Rio Grande do Norte, em particular, no Seridó potiguar. Assim, o registro histórico analítico resgata como se deu a evolução do fenômeno do poder local e os registros dos mecanismos participativos da massa votante da sociedade agrária. Durante este processo investigativo, ingressou na Universidade Federal de Uberlândia, no ano de 1985, no conjunto das disciplinas da área de Metodologia da Pesquisa Social: Metodologia Científica, Métodos e Técnicas de Pesquisa/MTP, Técnicas de Pesquisa em Economia/TPE. Após 30 anos no serviço público federal, ocorreu a aposentadoria em 2015.